Eclipse solar de agosto de 2026: quando acontece, onde será visível e o Brasil poderá ver?

 

Mapa da trajetória do eclipse solar total de 12 de agosto de 2026. Crédito: NASA’s Scientific Visualization Studio.

No dia 12 de agosto de 2026, a Lua passará entre a Terra e o Sol e produzirá um eclipse solar total que atravessará uma faixa relativamente estreita do planeta.

A totalidade poderá ser observada em partes da Groenlândia, Islândia, norte da Rússia, Espanha e em uma pequena região de Portugal, além de áreas sobre o Oceano Atlântico. Muitas outras regiões do Hemisfério Norte verão o fenômeno apenas parcialmente.

No Brasil, porém, a situação será bastante diferente.

O eclipse não será total em nenhuma parte do território brasileiro. Os mapas de visibilidade indicam que somente uma pequena região do Rio Grande do Norte estará dentro da área em que uma parte do Sol poderá ser encoberta pela Lua. O eclipse parcial nessa região deverá ocorrer aproximadamente entre 16h15 e 16h43, no horário de Brasília.

Para praticamente todo o restante do Brasil, o eclipse de 12 de agosto não será visível diretamente.

Ainda assim, o fenômeno é muito interessante do ponto de vista científico. Um eclipse solar envolve três objetos com tamanhos e distâncias completamente diferentes — Sol, Lua e Terra — alinhados de uma maneira tão precisa que, para quem estiver no local correto, a Lua poderá esconder completamente o disco solar durante alguns minutos.

Em resumo: haverá um eclipse solar total em 12 de agosto de 2026, mas a faixa de totalidade ficará principalmente sobre regiões do Hemisfério Norte. No Brasil, apenas uma pequena região do Rio Grande do Norte poderá observar uma fase parcial do fenômeno.

Uma das coisas que considero mais interessantes é justamente como objetos com tamanhos e distâncias tão diferentes podem parecer praticamente do mesmo tamanho quando observados da Terra.

A Lua é muito menor que o Sol, mas também está muito mais próxima de nós. Quando posição, distância e trajetória se combinam da maneira correta, ela consegue encobrir todo o disco solar para quem estiver dentro de uma região muito específica da Terra.

E é essa combinação que transforma um alinhamento astronômico em um dos fenômenos mais impressionantes que podemos observar no céu.


Quando acontecerá o eclipse solar de agosto de 2026?

O eclipse acontecerá na quarta-feira, 12 de agosto de 2026.

Como a sombra da Lua se deslocará por diferentes regiões do planeta, não existe um único horário válido para todos os observadores.

A trajetória passará pelo norte da Rússia, região do Ártico, Groenlândia, Islândia e Oceano Atlântico antes de alcançar a Península Ibérica.

Na Espanha e na pequena região de Portugal dentro da faixa de totalidade, o eclipse acontecerá no final da tarde, próximo ao pôr do Sol. Isso poderá produzir um cenário bastante incomum, com o Sol muito baixo no horizonte justamente durante uma das fases mais impressionantes do fenômeno.

Para a maior parte das pessoas dentro da faixa de totalidade, o Sol permanecerá totalmente encoberto por menos de dois minutos.

Na região mais favorável da trajetória, a duração máxima em solo será de aproximadamente 2 minutos e 18 segundos.

Parece pouco tempo, mas durante um eclipse total esses poucos minutos representam uma mudança enorme no ambiente.


O Brasil poderá ver o eclipse solar de agosto de 2026?

Em quase todo o país, não.

O Brasil ficará muito distante da trajetória principal da umbra, a região mais escura da sombra da Lua.

Segundo os cálculos disponíveis, somente uma pequena área do Rio Grande do Norte poderá observar uma fase parcial do eclipse.

Nessa região, o fenômeno deverá começar aproximadamente às 16h15 e terminar por volta das 16h43, no horário local. Não haverá nenhuma fase de totalidade.

Isso significa que mesmo quem estiver dentro dessa pequena área brasileira não verá o céu escurecer completamente como acontecerá na Islândia, Groenlândia ou em partes da Espanha.

O que poderá ser observado será somente uma pequena parte do disco solar sendo encoberta pela Lua.

É importante também não interpretar a informação como se todo o Rio Grande do Norte pudesse observar o fenômeno. A área de visibilidade é bastante limitada; Natal, por exemplo, não aparece entre os locais com o eclipse solar de 12 de agosto em sua lista de próximos eclipses.


Por que somente uma parte tão pequena do Brasil poderá ver?

A resposta está na geometria da sombra da Lua.

Durante um eclipse solar, a Lua projeta sua sombra sobre a Terra. Porém, essa sombra não cobre o planeta inteiro.

A região central e mais escura da sombra é chamada de umbra. É dentro dela que a Lua encobre completamente o Sol e ocorre o eclipse total.

Ao redor existe uma área muito maior chamada penumbra. Nela, somente uma parte do Sol é encoberta e o observador presencia um eclipse parcial. A NASA representa justamente essas duas regiões nos mapas do eclipse de agosto.

O caminho da umbra é relativamente estreito.

Isso significa que uma diferença de localização que parece pequena em escala planetária pode separar duas experiências completamente diferentes.

Uma pessoa pode estar na faixa de totalidade e observar o Sol desaparecer completamente, enquanto outra, algumas centenas de quilômetros distante, verá apenas parte do disco solar encoberto.

No caso de agosto de 2026, a trajetória principal da sombra ficará muito ao norte da maior parte do território brasileiro.

Esse foi outro ponto que me chamou atenção durante a pesquisa: uma alteração de localização muda completamente a experiência.

O fenômeno envolve três objetos gigantescos e distâncias astronômicas, mas, no final, a diferença entre ver um eclipse total, parcial ou simplesmente não ver nada pode depender da posição de uma pessoa sobre uma faixa relativamente estreita da superfície da Terra.


Onde o eclipse será total?

A faixa de totalidade atravessará principalmente:

  • norte da Rússia;
  • Groenlândia;
  • Islândia;
  • Oceano Atlântico;
  • Espanha;
  • extremo noroeste de Portugal.

A NASA informa que o horário da totalidade mudará conforme a sombra percorre o planeta. No norte da Rússia ela ocorrerá mais próxima do meio do dia. Na Groenlândia e na Islândia acontecerá mais tarde. Na Espanha e na pequena região de Portugal atingida pela umbra, ocorrerá pouco antes do pôr do Sol.

Mesmo dentro desses países, porém, nem todo o território estará na faixa de totalidade.

Essa é uma distinção importante.

Dizer que haverá um eclipse total na Espanha não significa que todas as cidades espanholas verão o Sol completamente encoberto.

Algumas localidades estarão dentro da trajetória da umbra, enquanto outras permanecerão na penumbra e terão apenas um eclipse parcial.


Um eclipse de 99% é praticamente igual a um eclipse total?

Não.

E esse é um dos pontos mais contraintuitivos do fenômeno.

Quando pensamos apenas matematicamente, pode parecer que a diferença entre 99% e 100% seja quase insignificante.

Durante um eclipse solar, porém, essa diferença é enorme.

Enquanto qualquer parte da superfície brilhante do Sol permanecer visível, o observador ainda estará presenciando uma fase parcial. A luz solar restante continua extremamente intensa e ainda é obrigatório utilizar proteção adequada para os olhos.

A experiência característica da totalidade acontece somente quando o disco brilhante do Sol está completamente encoberto.

Nesse momento:

  • a iluminação muda bruscamente;
  • o céu fica muito mais escuro;
  • a corona solar pode ser observada;
  • algumas estrelas e planetas podem se tornar visíveis;
  • e, exclusivamente durante a totalidade completa, é possível observar o eclipse diretamente sem proteção específica para os olhos.

Assim que qualquer parte brilhante do Sol reaparece, a proteção precisa ser utilizada novamente imediatamente.

Portanto, neste caso, 99% realmente não é igual a 100%.

Foi algo que me surpreendeu durante a pesquisa porque, para quem nunca viu um eclipse total, seria fácil imaginar que 99% proporcionaria praticamente a mesma experiência.

Cientificamente e visualmente, não é assim.


Quais outras regiões poderão observar o eclipse parcialmente?

A área do eclipse parcial será muito maior do que a faixa de totalidade.

A NASA informa que partes do norte dos Estados Unidos, grande parte do Canadá, boa parte da Europa e regiões do noroeste da África poderão observar diferentes porcentagens do Sol sendo encobertas.

Em muitas áreas da Europa e da África, o eclipse ainda estará acontecendo quando o Sol se pôr.

Isso produzirá o chamado eclipse ao pôr do Sol, com parte do disco solar já encoberta enquanto se aproxima do horizonte.

Quanto mais próximo um observador estiver da trajetória da umbra, maior tende a ser a porcentagem do Sol encoberta.


O que é um eclipse solar?

Um eclipse solar acontece quando a Lua passa entre a Terra e o Sol, bloqueando parte ou toda a superfície brilhante do Sol para determinadas regiões da Terra.

Para isso acontecer, Sol, Lua e Terra precisam estar alinhados de maneira suficientemente precisa.

A Lua então projeta sua sombra sobre nosso planeta.

Dependendo da posição do observador dentro dessa sombra, diferentes tipos de eclipse podem ser vistos.

Em um eclipse total, a Lua encobre completamente a face brilhante do Sol.

Em um eclipse parcial, somente parte do Sol é coberta.

Existe ainda o eclipse anular, no qual a Lua passa diretamente diante do Sol, mas aparenta estar pequena demais para escondê-lo por completo, deixando uma região luminosa ao seu redor conhecida popularmente como “anel de fogo”.


Como a Lua consegue esconder um Sol muito maior?

Essa é provavelmente uma das partes mais curiosas de um eclipse.

O Sol é gigantesco quando comparado à Lua.

Seu diâmetro é aproximadamente 400 vezes maior.

Então como um objeto muito menor consegue esconder completamente o Sol?

A resposta está na distância.

O Sol também está aproximadamente 400 vezes mais distante da Terra do que a Lua.

Por isso, apesar de terem tamanhos físicos completamente diferentes, os dois apresentam dimensões aparentes muito semelhantes quando observados do nosso planeta.

Imagine segurar uma moeda próxima dos olhos.

A moeda é obviamente muito menor que um prédio distante. Porém, estando suficientemente próxima, ela pode ocupar a mesma área aparente no seu campo de visão e esconder completamente o prédio.

Algo parecido acontece com Lua e Sol.

O Sol é muito maior, mas está extremamente distante.

A Lua é muito menor, mas está muito mais próxima.

Quando o alinhamento é adequado, a Lua pode cobrir completamente o disco solar.

É uma coincidência geométrica impressionante.


Por que alguns eclipses são totais e outros são anulares?

A distância entre a Terra e a Lua não permanece exatamente igual.

A órbita lunar não é um círculo perfeito.

Em determinados momentos, a Lua fica um pouco mais próxima da Terra; em outros, fica mais distante.

Quando ela aparece grande o suficiente no céu e o alinhamento é correto, consegue esconder completamente o Sol e produz um eclipse total.

Quando a Lua está mais distante e seu tamanho aparente é ligeiramente menor, ela não consegue cobrir toda a superfície solar.

Nesse caso, permanece uma borda brilhante ao redor da Lua, criando o chamado eclipse anular.

É daí que surge o famoso “anel de fogo”.


O que são umbra e penumbra?

A sombra produzida pela Lua durante um eclipse pode ser entendida principalmente através de duas regiões.

Umbra

A umbra é a região central e mais escura da sombra.

Para uma pessoa localizada dentro dela, a Lua encobre completamente o Sol.

É onde ocorre o eclipse solar total.

Penumbra

A penumbra é uma região muito mais ampla onde apenas parte do Sol é bloqueada.

Quem estiver dentro dela verá um eclipse parcial.

No mapa da NASA para o eclipse de 12 de agosto, a pequena região escura representa a umbra, enquanto a área muito maior representa a penumbra.

Isso explica por que milhões de pessoas podem observar um eclipse parcial enquanto uma quantidade muito menor consegue experimentar a totalidade.


Por que um eclipse solar não acontece todos os meses?

A Lua completa uma volta ao redor da Terra aproximadamente uma vez por mês.

Além disso, toda Lua nova ocorre quando ela está aproximadamente na direção do Sol no céu.

Então poderia parecer lógico esperar um eclipse solar em toda Lua nova.

Mas não acontece.

A órbita da Lua é inclinada em aproximadamente cinco graus em relação ao plano da órbita terrestre em torno do Sol.

Na maior parte das Luas novas, portanto, nosso satélite passa um pouco acima ou abaixo do alinhamento necessário.

Sua sombra não atinge a Terra da maneira correta para produzir um eclipse solar.

Existem períodos específicos em que a geometria se torna favorável. Eles são conhecidos como temporadas de eclipses.

É durante essas janelas que eclipses solares e lunares podem acontecer.


Qual é a diferença entre eclipse total e eclipse parcial?

A diferença não está em existir um “tipo diferente” de Lua ou de Sol.

Ela depende principalmente da posição do observador em relação à sombra lunar.

Eclipse total

O observador está dentro da umbra.

A Lua encobre toda a superfície brilhante do Sol.

O ambiente escurece rapidamente e a atmosfera externa do Sol, conhecida como corona, torna-se visível.

Eclipse parcial

O observador está dentro da penumbra.

Somente uma parte do Sol é bloqueada.

Não existe nenhum momento em que o disco solar desapareça totalmente.

Isso possui uma consequência importante para a segurança: durante todo um eclipse parcial, não existe fase em que seja seguro olhar diretamente para o Sol sem proteção adequada.


O que acontece durante um eclipse solar total?

A totalidade dura pouco, mas pode provocar mudanças perceptíveis no ambiente.

À medida que uma parcela cada vez maior do Sol é encoberta, a iluminação diminui.

Próximo da totalidade, o ambiente passa a se parecer com um crepúsculo muito rápido.

A temperatura também pode diminuir.

Alguns animais podem modificar temporariamente seu comportamento porque a redução repentina da luz produz condições semelhantes às do anoitecer.

Quando a Lua finalmente encobre completamente a superfície brilhante do Sol, surge ao redor do disco escuro uma estrutura muito mais fraca.

É a corona solar.


O que é a corona solar?

A corona é a camada mais externa da atmosfera do Sol.

Normalmente ela é muito difícil de observar diretamente da Terra porque a face visível do Sol é extremamente mais brilhante.

Durante a totalidade, a Lua funciona como um bloqueador natural.

Ao esconder a região extremamente luminosa, ela permite que estruturas muito mais fracas da atmosfera solar sejam observadas.

A corona surge como uma região clara e difusa ao redor do disco escuro da Lua.

Foi justamente por isso que eclipses solares totais tiveram enorme importância histórica para a astronomia.

Antes do desenvolvimento de coronógrafos, satélites e observatórios solares modernos, eclipses ofereciam oportunidades raras para estudar essa região do Sol.

Mesmo hoje, eles continuam sendo utilizados cientificamente.

E a NASA pretende aproveitar bastante o eclipse de agosto de 2026.


NASA vai perseguir a sombra da Lua com um avião

Uma das pesquisas mais interessantes programadas para o eclipse envolve um avião científico de alta altitude chamado WB-57.

O avião deverá voar a aproximadamente 50 mil pés de altitude, equipado com quatro câmeras capazes de registrar a corona em diferentes comprimentos de onda visíveis e infravermelhos.

Os instrumentos deverão produzir pelo menos 20 imagens por segundo, permitindo analisar estruturas e mudanças rápidas na corona solar.

Mas existe um detalhe ainda mais curioso.

Em vez de simplesmente ficar parado observando o eclipse, o avião irá voar na mesma direção da sombra da Lua.

A maior duração da totalidade para um observador no solo será aproximadamente 2 minutos e 18 segundos.

Voando a cerca de 460 milhas por hora junto à trajetória do eclipse, a equipe da NASA espera prolongar sua observação da corona para quase três minutos.

Pode parecer uma diferença pequena, mas, para instrumentos registrando dezenas de imagens a cada segundo, segundos adicionais representam uma quantidade enorme de novos dados.


Balões científicos também serão lançados

O eclipse não será utilizado somente para estudar o Sol.

A NASA também apoiará experimentos destinados a entender como a atmosfera da Terra reage quando a luz solar diminui rapidamente.

Equipes de estudantes e pesquisadores lançarão balões científicos na Islândia e na Espanha antes, durante e depois do eclipse.

Na Islândia, duas equipes planejam lançar ao todo cerca de 80 balões, começando muitas horas antes do evento e continuando depois dele.

O objetivo será estudar alterações na chamada camada limite atmosférica, a região da atmosfera que fica em contato direto com a superfície terrestre.

Na Espanha, balões equipados com câmeras de 360 graus e instrumentos científicos deverão observar a sombra do eclipse a partir de grandes altitudes e medir alterações em componentes atmosféricos como o ozônio.

Esse é um aspecto que considero especialmente interessante: um eclipse solar não serve apenas para estudar o Sol.

A mudança súbita de iluminação também transforma o próprio planeta em um experimento natural.


Quanto tempo durará a totalidade?

A duração dependerá da localização.

Para grande parte da faixa de totalidade, o Sol ficará completamente encoberto por menos de dois minutos.

Na melhor região da trajetória, a duração máxima para observadores no solo será de cerca de 2 minutos e 18 segundos.

Novamente, isso reforça a enorme diferença entre observar um eclipse quase total e estar realmente dentro da trajetória de 100%.


É seguro olhar diretamente para um eclipse solar?

Na maior parte do tempo, não.

Olhar diretamente para o Sol sem proteção adequada pode provocar danos graves aos olhos.

Durante qualquer fase parcial de um eclipse, é necessário utilizar proteção especificamente desenvolvida para observação solar.

Óculos escuros comuns não funcionam.

Não importa o quanto sejam escuros: eles não oferecem a proteção necessária para observar diretamente o Sol.

Os visualizadores solares adequados devem estar de acordo com os requisitos da norma internacional ISO 12312-2. A NASA também deixa claro que não aprova marcas específicas de óculos de eclipse.

Antes de usar qualquer visualizador, verifique se ele:

  • não está rasgado;
  • não possui arranhões;
  • não está furado;
  • não apresenta qualquer outro dano.

Caso esteja danificado, deve ser descartado.


E durante a totalidade?

Existe uma exceção muito específica.

Para quem estiver realmente dentro da faixa de totalidade, é possível observar diretamente apenas durante os breves momentos em que a Lua encobre completamente a superfície brilhante do Sol.

Assim que qualquer pequena parte brilhante do Sol reaparecer, a proteção deve ser recolocada imediatamente.

No Brasil, essa exceção não se aplica ao eclipse de 12 de agosto de 2026.

Como o fenômeno será apenas parcial na pequena região em que poderá ser observado, a proteção solar apropriada deverá ser utilizada durante todo o evento.


Posso usar celular ou câmera para fotografar o eclipse?

Este ponto exige bastante cuidado.

Uma câmera, telescópio ou binóculo direcionado para o Sol concentra uma quantidade enorme de luz.

Por isso, não basta usar óculos de eclipse enquanto olha através desses equipamentos.

A NASA alerta que telescópios, binóculos, câmeras e outras ópticas precisam de filtros solares apropriados instalados na parte frontal do equipamento, antes que a luz seja concentrada pelas lentes.

Olhar através de um equipamento óptico sem proteção adequada pode causar danos graves aos olhos.

A luz concentrada também pode danificar sensores e componentes de câmeras.

Para quem não possui equipamentos e filtros apropriados, acompanhar imagens produzidas por observatórios ou transmissões oficiais é uma alternativa muito mais segura.


Existe uma maneira indireta de observar um eclipse?

Sim.

Uma alternativa para acompanhar uma fase parcial é utilizar projeção indireta, sem olhar diretamente para o Sol.

Um exemplo é o chamado pinhole projector, ou projetor de pequeno orifício.

A luz do Sol passa por uma pequena abertura e projeta uma imagem sobre outra superfície.

A pessoa observa a projeção, e não o Sol diretamente.

Um detalhe curioso é que pequenos espaços entre folhas de árvores também podem produzir naturalmente esse efeito.

Durante um eclipse parcial, centenas de pequenas imagens em formato crescente podem aparecer projetadas no chão.


Quem não conseguir ver poderá acompanhar pela internet?

Sim.

A NASA confirmou uma transmissão oficial para 12 de agosto de 2026.

A cobertura deverá começar às 13h15 no horário do leste dos Estados Unidos, o que corresponde atualmente a 14h15 no horário de Brasília. A transmissão terá imagens de diferentes pontos da trajetória e participação de especialistas.

A programação divulgada pela NASA indica:

  • 14h15 em Brasília: início da transmissão;
  • 14h45 em Brasília: início da totalidade na Islândia;
  • 15h28 em Brasília: início da totalidade na Espanha.

Esses horários são conversões da programação oficial divulgada em horário do leste dos Estados Unidos.

Como transmissões ao vivo podem sofrer alterações, é recomendável verificar novamente a programação no dia do evento.

Para praticamente todo o público brasileiro, essa será a melhor maneira de acompanhar a fase total.


Por que eclipses solares são importantes para a ciência?

Hoje existem observatórios espaciais e terrestres capazes de estudar continuamente o Sol.

Mesmo assim, eclipses solares totais oferecem condições de observação muito particulares.

Quando a Lua bloqueia a superfície extremamente brilhante do Sol, estruturas muito mais fracas da corona se tornam acessíveis para instrumentos científicos.

No eclipse de agosto de 2026, pesquisadores pretendem estudar:

  • estruturas e mudanças rápidas na corona;
  • como a corona alcança temperaturas extremamente elevadas;
  • relação entre a corona e o vento solar;
  • alterações temporárias da atmosfera terrestre;
  • mudanças na camada limite atmosférica;
  • alterações no ozônio;
  • efeitos produzidos pelo desaparecimento temporário da luz solar.

Assim, o eclipse funciona como um enorme laboratório natural.


Um eclipse solar é perigoso para a Terra?

Não.

Um eclipse solar é consequência normal dos movimentos orbitais do sistema Terra-Lua-Sol.

Ele não produz uma radiação misteriosa, não altera perigosamente a gravidade da Terra e não representa sinal de desastre.

O risco real associado à observação é muito mais simples: olhar diretamente para o Sol sem proteção apropriada.

Mesmo quando grande parte do disco solar está encoberta, a parte restante continua suficientemente brilhante para causar danos aos olhos.


O eclipse fará o dia virar noite?

Durante a totalidade, o ambiente ficará muito mais escuro, mas não se transforma exatamente em uma noite comum.

A aparência se aproxima mais de um crepúsculo extremamente rápido.

Regiões próximas ao horizonte ainda podem parecer iluminadas porque áreas mais distantes estão fora da sombra da Lua e continuam recebendo luz solar.

Algumas estrelas e planetas suficientemente brilhantes podem aparecer no céu durante a totalidade.

Fora da faixa total, a mudança pode ser muito menos dramática.


O eclipse será igual para todo mundo?

Não.

Essa talvez seja uma das melhores demonstrações de como a localização interfere na astronomia observacional.

Duas pessoas separadas por algumas centenas de quilômetros poderão viver experiências completamente diferentes.

Uma pode observar:

  • totalidade completa;

outra:

  • 99% de cobertura;

outra:

  • 50%;

e uma quarta:

  • nenhum eclipse.

Tudo depende da relação entre o observador e o caminho percorrido pela sombra da Lua.


Por que o eclipse de agosto de 2026 é tão interessante?

O eclipse demonstra de maneira extremamente visual como movimentos astronômicos em escalas gigantescas podem produzir efeitos muito localizados na superfície da Terra.

A Lua está a centenas de milhares de quilômetros de distância.

O Sol está a aproximadamente 150 milhões de quilômetros.

Mesmo assim, pequenas diferenças no alinhamento determinam se uma pessoa observará:

  • nenhum eclipse;
  • um eclipse parcial;
  • quase toda a superfície solar encoberta;
  • ou alguns minutos de totalidade.

É geometria orbital acontecendo diante dos nossos olhos.

E, na minha opinião, essa é uma das coisas mais interessantes sobre eclipses: eles tornam visível algo que normalmente tratamos apenas como números, órbitas e distâncias.

Durante alguns minutos, é possível literalmente observar o resultado desse alinhamento no céu.


O que o público brasileiro poderá fazer no dia 12 de agosto?

Para a maior parte do Brasil, a melhor opção será acompanhar a transmissão oficial.

Na pequena região do Rio Grande do Norte onde haverá alguma visibilidade parcial, a observação dependerá também de condições como:

  • céu sem muitas nuvens;
  • Sol ainda suficientemente acima do horizonte;
  • localização adequada;
  • uso obrigatório de proteção solar apropriada.

O mais importante é lembrar que não haverá totalidade no Brasil.

Portanto, não existirá nenhum momento em que seja seguro retirar a proteção para olhar diretamente para o Sol.


Conclusão

O eclipse solar de 12 de agosto de 2026 será um dos acontecimentos astronômicos mais interessantes do ano.

Sua faixa de totalidade atravessará regiões do norte da Rússia, Groenlândia, Islândia, Oceano Atlântico, Espanha e uma pequena área de Portugal.

Na região mais favorável, a totalidade poderá durar aproximadamente 2 minutos e 18 segundos para observadores no solo.

No Brasil, porém, a visibilidade será extremamente limitada.

Somente uma pequena região do Rio Grande do Norte poderá observar uma fase parcial, entre aproximadamente 16h15 e 16h43. Para praticamente todo o restante do país, o eclipse não será visível diretamente.

Mas entender um eclipse vai muito além de descobrir onde ele poderá ser visto.

O fenômeno mostra como tamanho, distância, posição e movimento trabalham juntos no Sistema Solar.

Também demonstra algo contraintuitivo: um eclipse de 99% não oferece a mesma experiência de um eclipse total. Somente quando a superfície brilhante do Sol está completamente escondida surgem as condições características da totalidade.

O evento também será uma oportunidade científica.

Enquanto milhões de pessoas olharão para o céu, pesquisadores utilizarão aviões, câmeras de alta velocidade e balões científicos para estudar tanto a corona solar quanto as mudanças produzidas na atmosfera terrestre.

Para quem não estiver na trajetória, a NASA transmitirá o fenômeno ao vivo.

E independentemente da localização, uma regra precisa permanecer clara:

durante qualquer fase parcial de um eclipse solar, nunca olhe diretamente para o Sol sem proteção solar apropriada.


Perguntas frequentes

Quando será o eclipse solar de agosto de 2026?

O eclipse acontecerá na quarta-feira, 12 de agosto de 2026.

O eclipse será total no Brasil?

Não.

Nenhuma região do Brasil estará dentro da faixa de totalidade.

Será possível ver o eclipse no Brasil?

Somente uma pequena região do Rio Grande do Norte poderá observar uma fase parcial do eclipse.

Que horas será o eclipse no Brasil?

Na região do Rio Grande do Norte onde haverá visibilidade, o eclipse parcial está previsto aproximadamente entre 16h15 e 16h43, no horário de Brasília.

Natal poderá ver o eclipse?

Os dados do Time and Date para Natal não incluem o eclipse solar de 12 de agosto entre os próximos eclipses visíveis na cidade, reforçando que a faixa brasileira de visibilidade é restrita a outra pequena região do Rio Grande do Norte.

Onde o eclipse será total?

A totalidade atravessará partes do norte da Rússia, Groenlândia, Islândia, Oceano Atlântico, Espanha e uma pequena região do noroeste de Portugal.

Quanto tempo durará?

A maior duração da totalidade em solo será de aproximadamente 2 minutos e 18 segundos.

Um eclipse de 99% é igual a um eclipse total?

Não.

Mesmo uma pequena parte do Sol ainda visível mantém o evento na fase parcial. A experiência da totalidade, incluindo a observação da corona e a mudança intensa de iluminação, ocorre somente a 100%.

Óculos escuros servem para observar o eclipse?

Não.

Óculos escuros comuns não oferecem proteção adequada, independentemente de quão escuros sejam.

Que tipo de proteção deve ser usada?

Visualizadores solares adequados devem seguir os requisitos da norma internacional ISO 12312-2 e não podem estar danificados. A NASA não recomenda nenhuma marca específica.

Posso observar usando câmera, binóculo ou telescópio?

Somente com filtros solares específicos instalados corretamente na parte frontal da óptica. Óculos de eclipse não substituem filtros próprios para esses equipamentos.

Por que não acontece um eclipse solar todos os meses?

Porque a órbita lunar é inclinada em relação ao plano da órbita terrestre. Na maioria das Luas novas, a Lua passa acima ou abaixo do alinhamento necessário para que sua sombra atinja a Terra da maneira correta.

Por que a Lua consegue cobrir um Sol tão maior?

Porque o Sol é aproximadamente 400 vezes maior que a Lua, mas também está aproximadamente 400 vezes mais distante. Isso faz com que os dois tenham dimensões aparentes semelhantes quando observados da Terra.

A NASA transmitirá o eclipse?

Sim.

A programação atual indica início da transmissão às 13h15 EDT, equivalente a 14h15 no horário de Brasília, em 12 de agosto.


Fontes e referências

NASA Science — Total Solar Eclipse on August 12, 2026
Informações sobre trajetória, regiões de visibilidade, duração, horários, eclipse parcial e transmissão. NASA Science

NASA Science — Eclipse Viewing Safety
Orientações sobre observação segura, visualizadores solares, ISO 12312-2, câmeras, telescópios e binóculos. NASA Science

NASA Science — NASA Science Soars During August Total Solar Eclipse
Informações sobre o avião WB-57, duração máxima da totalidade e experimentos com balões científicos. NASA Science

NASA — Coverage for August Northern Hemisphere Total Solar Eclipse
Programação oficial da transmissão e experimentos da NASA. NASA

Time and Date — Eclipse de 12 de agosto de 2026 no Brasil e Rio Grande do Norte
Dados de visibilidade e horários específicos para o Brasil. Time and Date

Guilherme Sussai

Atualmente tenho uma empresa de móveis planejados, nas horas vagas, sou escritor, designer, sou apaixonado por carros e entre outras coisas.

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